segunda-feira, 19 de abril de 2010

Angola devolve propriedades aos alemães Porque é que a Alemanha consegue e Portugal não?

■ Que faz Sócrates? Nada!
«Por que motivo os alemães vêem as suas fazendas devolvidas por Angola e nós portugueses continuamos a aguardar justiça há mais de 33 anos, senhor Primeiro-Ministro ?» É esta a pergunta que as duas associações de espoliados do Ultramar deixam ao Governo de Sócrates
Isabel Guerreiro
N
OTÍCIAS vindas de Luanda dão conta de que o Governo angolano está a devolver dezenas de fazendas a cidadãos alemães que abandonaram o território africano por altura da independência, em 1975.
  Segundo o jornal «Africa Monitor» «o incremento por que estão a passar as relações angolano-alemães é devido a uma política condescendente de Angola face a exigências da Alemanha, tendo em vista a devolução de fazendas de que cidadãos alemães foram desapropriados a seguir à independência do território».
A notícia acrescenta ainda: «os processos de reclamação das fazendas, movidos pelos antigos proprietários alemães (ou herdeiros), vinham deparando com a dificuldade acrescida de algumas delas, em especial as situadas na província Cuanza-Sul, estarem ocupadas ou serem usufruto de personalidades da elite. A Alemanha alegou que os seus nacionais residentes no território à época de independência abandonaram Angola por razões de força maior desordem violenta, que inclusive provocou mortes».
  «Por que motivo os alemães vêem as suas fazendas devolvidas e nós portugueses não, senhor Pri-meiro-Ministro ?» É esta a pergunta que as duas associações de espoliados gostavam de ver respondida pelo Governo de Sócrates.
  Cerca de um milhão de espoliados das ex-colónias continua a aguardar pelas indemnizações dos bens perdidos no regresso a Portugal. Os cidadãos portugueses deixaram para trás, não só propriedades agrícolas mas também estabelecimentos comerciais, armazéns, negócios, e outro património que continua por calcular.
  Estima-se que a quantia total de indemnizações reivindicada pelos espoliados ascenda a mais de um bilião de contos. Mas passadas três décadas nada foi resolvido e inventariado.
  «Porque é que Alemanha consegue e nós, portugueses, não?!»
A interrogação de Lucas Martins, presidente da Associação dos Espoliados de Angola (AEANG), é dirigida ao Executivo de Sócrates, assim como ao Ministério das Finanças e Negócios Estrangeiros.

«Querem apagar a traição do passado»
  «Os portugueses não foram ressarcidos de nada, como a descolonização foi feita com tremendos erros, querem agora apagar a traição do passado e os governos sucessivos foram tapando as asneiras iniciais», lamenta ao acusar o Executivo de não pressionar o regime de Angola, como fez a Alemanha. «Angola é riquíssima, tem petróleo, diamantes, uma costa pesqueira fantástica, é uma jóia que todos cobiçam e não foi devolvido sequer um metro quadrado de terra aos portugueses».
  «Todos os países que tiveram colónias, indemnizaram os seus cidadãos, os portugueses investiram em Angola, venderam o que tinha no seu País para rumar para Africa e continuam a pedir que se faça justiça», destaca ao acrescentar: «O governo português, infelizmente, o que faz ainda é anti-pressão e elogio, procura por todos os meios passar para a opinião pública que não temos quaisquer direitos, ou que tudo tinha sido roubado e adquirido ilicitamente.... é precisamente porque estão vivas as figuras gradas que fizeram a descolonização que se pensa assim», lamenta Lucas Martins.
«Oportunidade para Portugal reescrever a história»
Também Vasco Rodrigues, presidente da Associação dos Espoliados de Moçambique (AEMO) aguarda «vivamente que o Governo português esteja ciente de que é necessário tomar uma atitude como fez o governo alemão, mesmo motivado por altos interesses económicos».
  «Esta será mais uma oportunidade que Portugal tem de rescrever a sua história e fazer justiça, porque o Estado nunca acautelou os interesses patrimoniais dos nossos espoliados», acrescenta.
  O dirigente frisa que tem feito chegar junto do Primeiro-Ministro «a ansiedade de todos os que abandonaram os bens em África», sobretudo, quer saber em que ponto de situação está «o famigerado grupo de trabalho, que tinha como missão iniciar o tratamento dos dados para uma futura resolução do problema dos espoliados».
«Há uma barreira qualquer no ministério das Finanças que está a travar a resolução deste assunto que pugnamos há mais 30 anos, este é um problema de Estado e nunca houve qualquer atitude, excepto ao governo de coligação PSD-CDS em que foi criado este grupo de trabalho que necessita de ser constituído para começar a agir», acrescenta.
  «As nossas ambições continuam a ser tabu e olham para os nosso problemas como se fosse um assunto de que não se pode falar ou que já está encerrado», lamenta Vasco Rodrigues.
      Interesses inconfessáveis
  Por outro lado, o major-general da Força Aérea (na reforma) Paula Vicente entende que, ao abandonar a causa dos espoliados, «os políticos portugueses deixam a margem para que a Nação pense que, se não quiseram, até agora, afrontar os governos dos agora designados PALOP, mormente o de Angola, é porque preferiram defender outros interesses, estes porventura inconfessáveis».
  O general Carlos Azeredo também lamenta: «não sei se algum dos diversos governos que tivemos após a independência de Angola teve coragem para levantar este assunto, que constitui um imperativo moral, pois estão em jogo os interesses de muitos portugueses que, com o seu trabalho, contribuíram para a riqueza de Angola».
  Acredita ainda que Angola, ao devolver as fazendas aos cidadãos portugueses, «só teria a lucrar, em dignidade perante a Comunidade Internacional e em termos económicos, com os benefícios que adviriam do seu trabalho.»

Fernando Paula Vicente, major-general da Força Aérea (na reforma)
«Os espoliados dizem-se traídos e estão cheios de razão»
■ O DIABO — Os espoliados continuam a dizer que se sentem traídos pelos Governo. Acha que o actual Executivo também deveria fazer pressão junto do governo angolano para este ter a mesma atitude com os portugueses como teve com os alemães?
GENERALPAULA VICENTE - Os espoliados dizem-se traídos e estão cheios de razão. Sou genro de um espoliado, pioneiro da colonização do norte de Angola, António Cordeiro de Oliveira. Com 13 anos rumou a Angola. Em 1921, com apenas 19 anos, fundou a povoação que é o concelho do Songo, distrito do Uíge. Grande empreendedor, criou um conglomerado de actividades de que faziam parte, entre outras coisas, quatro fazendas de café, casa comercial, farmácia, criação extensiva de gado, terrenos e habitações em Luanda. Tudo quanto ganhou foi investido em Angola, que considerava a sua terra, tendo também financiado a instalação de vários conterrâneos. Não transferiu um escudo para a metrópole, tal era a confiança e o amor por Angola. Abruptamente, em 1975, nas vésperas da independência, para salvar a vida, teve que fugir com a família: nem o dinheiro que tinha no banco conseguiu levantar. Chegou à metrópole tão pobre como tinha saído em 1913 e, até ao fim da vida, viveu de uma mísera pensão de velhice. Foi traído pelo governo de Angola, país a cujo desenvolvimento devotou uma vida inteira. Foi traído pelo governo português da época que, branqueando a história, quer fazer crer, aliás como os actuais, que foi feita uma «descolonização exemplar». Foi traído por sucessivos governos portugueses de todas as cores políticas que, ignorando as suas responsabilidades, se alhearam do problema da indemnização aos espoliados. Alguns, como o governo do senhor Professor Cavaco Silva, fingiram interessar-se pelo problema, tendo este criado um Gabinete de Apoio aos Espoliados, que nunca serviu para nada. Foi traído pela sociedade civil portuguesa que, depreciativamente, rotulou de «retornados» os espoliados das províncias ultramarinas e, de alguma forma, até os segregou socialmente. Foi traído por uma fauna da «esquerda bem-falante» que, além de nunca nada ter feito por Portugal, não hesitou em afirmar que os espoliados tinham feito fortuna a roubar os pretos. Foi traído por uma Comunicação Social que é capaz de chorar lágrimas de crocodilo por Timor, mas que, genericamente, enterrou a cabeça na areia, como se o problema dos espoliados não existisse. Foi traído por pessoas como Joaquim Furtado que, na sua série televisiva sobre a guerra do Ultramar, não hesitou em diabolizar o regime político português e as nossas forças armadas e em, simultaneamente, glorificar os terroristas angolanos.
  Como este colono exemplar, de quem ninguém de boa fé poderá dizer mal, muitos mais milhares de colonos foram igualmente traídos. Para eles nunca houve dinheiro para indemnizações, porque o dinheiro tem sido necessário para estádios de futebol, perdão de dívidas aos PALOP, subsídios à produção privada de filmes que ninguém vê (pelo menos um, sem imagem) e outros «negócios de Estado» que nada têm a ver com o interesse nacional: centenas de milhões de contos! E ninguém vai preso!
  O DIABO – 26.08.2008

1 comentário:

ideias tontas disse...

Boa noite meu nome e Estela.
Sou Angolana(cabeça de pongo) e para sempre Angolana.
Por mais que nao queiram, tanto o estado Portugues como Angolano,tenho na minha terra de origem, bens,PAGOS,com escritura dos mesmos,nada foi roubado
(pelo menos na minha casa).
Como tal eu quero o que e meu,que foi pago com muito trabalho,suor e lagrimas pelos meus pais.
Nao quero saber de tretas nem de mentiras.
Em qualquer lado do mundo, o que se paga,e quando se tem os papeis que o comfirmao e NOSSO.
QUERO O QUE E MEU.
QUERO PODER ESTAR EM ANGOLA SEM MEDO DE LEVAR UMA CATANADA.
SO BRANCA MAS ANGOLANA TENHO TANTOS DIREITOS COMO OS OUTROS ANGOLANOS.
PORTUGESA?????NAO RETORNADA.
SOU DE UMA GERAÇAO DE GENTE SEM TERRA.EM ANGOLA SO PORTUGESA BRANCA,EM PORTUGAL SOU RETORNADA.
BASTA, ESTA PRETA-BRANCA SO QUER O QUE E DE DIREITO,PATRIA E LIBERDADE.