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quarta-feira, 18 de abril de 2012

POEMA: SAUDADES DE ANGOLA

         
 
Angola
RECORDAR ANGOLA É VIVER DUAS VEZES.....




Recordo Angola de outros tempos
Onde passei a minha mocidade
E a sua encantadora beleza
Comigo ficará até á eternidade.


Recordo a sua fauna exuberante,
As matas e as aldeias do interior.
Também recordo o povo angolano
A quem sempre dei muito valor.

Recordo bem as três cidades
Onde vivi períodos da minha vida
E apesar de distantes no tempo,
Nenhuma foi por mim esquecida.

Luanda, debruçada sobre o mar,
Onde as palmeiras da marginal
Dançavam misteriosamente
Ao sabor da brisa tropical.

Aquele maravilhoso pôr do sol
Visto do morro da antiga fortaleza
Tinha uma tonalidade exclusiva
Como exclusiva era a sua beleza.

Os fins de semana no Mussulo
Onde as praias eram um paraíso
E a beleza selvagem desta ilha
Fazia qualquer um perder o juízo.

Foi nesta bela Luanda que conheci
A mulher por quem me apaixonei
E na Igreja da Sagrada Família,
Num dia de Abril, com ela me casei.

Recordo a cidade de Moçâmedes
Que do Namibe era a princesa
E nem os ventos áridos do deserto
Conseguiram destruir a sua beleza.

Banhada pelo Oceano Atlântico
Era por mérito terra de pescadores
E as águas tentadoras da Praia Amélia
Eram o paraíso dos mergulhadores.

A “Welwitshia Mirabilis”
Que bem recordo, era por certo
Uma planta única no Mundo
Existindo apenas no seu deserto.

Também recordo Sá da Bandeira
Que da Huíla era a capital.
Edificada lá no alto da Chela
Desfrutava de um clima especial.

Dos meus tempos de estudante
Ficou dela uma boa recordação
Pois nesta cidade frequentei
O Liceu Nacional Diogo Cão.

Com muitas praxes académicas
Foi o berço de idealistas
Ajudando a preparar o futuro
A engenheiros e economistas.

Um dia, já muito distante no tempo,
Por razões alheias à própria razão,
Deixei Angola da minha mocidade
Mas ainda a recordo com emoção.

publicado por Tony de Aguiar
·

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Fuga de Moçâmedes (Angola) para Welvys Bay e Africa do Sul através do Cunene e da Costa dos Esqueletos













Para além da grande evacuação que se processou por via da ponte aérea entre Luanda e Lisboa, 
montada por Portugal com a ajuda de potências internacionais, foram
várias as saídas de brancos e não só, para fora de Angola, a partir de Moçâmedes, Porto-Alexandre e Sá-da-Bandeira, nesses meses que mediaram  entre Junho a
Novembro de 1975, e se prolongaram mesmo até aos primeiros meses da
independência de Angola, precipitadamente
preparada, e inadiadamente marcada para 11 de Novembro de 1975. Uns partiram em traineiras com destino Luanda e daí para a Metrópole, outros, partiram em traineiras através de Porto Alexandre, Baía dos Tigres, até Walvis Bay (Namíbia), para em seguida rumarem na direcção do Rio de Janeiro e finalmente a
Portugal (durante nove meses). Outros ainda, partiram  em caravanas de automóveis, atravessaram o deserto do Namibe até à foz do
Cunene, atravessaram o rio em jangadas construidas para o efeito,  e prosseguiram para Walvis Bay através da perigosa Costa dos Esqueletos, uma das zonas mais inóspitas
do globo, tendo-se 
perdido  vários carros e embarcações no decurso dessas  viagens.

A população de Moçâmedes, cidade litorânea do sul de Angola, até Junho de 1975 viveu em completa calmaria, mas viu a situação mudar e deteriorar-se  a partir daí, com o agravamento da situação em Luanda, em consequência da expulsão pelo MPLA da UNITA e da FNLA, e o alastramento dos confrontos a todas as cidades de Angola. Foi então e só a partir de então, que o pânico começou a apoderar-se das pessoas, pois excepto uns poucos, mais temerosos de suas vidas e mais preocupados em acautelar seus bens, a maioria da população branca ia se deixando estar, embora se mantivesse expectante e receosa ante o desenrolar dos acontecimentos.




Através dos  videos acima, Rogério Amorim conta-nos como se processou a fuga a partir  de Moçâmedes, Porto Alexandre e Sá da Bandeira,  de um grupo de familias em pânico, incluindo a sua,  que  resolveram partir rumo a
Walys Bay (Namibia), através da foz do Rio Cunene e da já referida Costa dos Esqueletos.  Fizeram-no, integrando  uma
caravana constituida por 61 veículos automóveis  de todo o tipo, carregados com bagagens que não eram mais
 que o pouco que puderam juntar, tendo que atravessar a fronteira numa jangada feita propositadamente para tal fim, e prosseguir a marcha durante 16 dias  sempre junto ao mar, entre o deserto e o mar, aproveitando-se da maré vazia e da areia molhada.



Do livro de Rogério Amorim  "Costa dos
Esqueletos"  seguem algumas
 fotos desta fuga, e da travessia do rio Cunene através de Jangada:




 Clássicos do Ultramar-sem-titulo-7.jpg




 Clássicos do Ultramar-sem-titulo-2.jpg






Clássicos do Ultramar-sem-titulo-4.jpg




 




 




Clássicos do Ultramar-sem-titulo-8.jpg


Clássicos do Ultramar-sem-titulo-1.jpg 






Ver também: FUGA DA CIDADE DO NAMIBE NO SILVER SKY: 10.01.1976